"Eu não fui comunicado", diz Renan sobre lista da PGR
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou nesta
quarta-feira (4) ter sido comunicado sobre a presença do seu nome na
lista de políticos envolvidos na Operação Lava Jato.
Na última terça-feira (3), a PGR (Procuradoria-Geral da República) enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedidos de investigação contra 54 pessoas citadas nos depoimentos de delação premiada do doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da estatal Nestor Cerveró.
Além de Calheiros, o nome presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
também constaria no processo. Ambos teriam sido alertados pelo
vice-presidente da República, Michel Temer, também do PMDB. Calheiros
disse, no entanto, que nem ele nem Eduardo Cunha foram avisados sobre o
conteúdo da lista pelo Planalto.
— Eu não fui comunicado e acredito que o Eduardo [Cunha] também não.
Entenda a Lava Jato
A Lava Jato investiga um esquema de corrupção em que empreiteiras
teriam formado cartel para participar das licitações de obras da
Petrobras e pagariam propina a funcionários da empresa, operadores que
lavariam dinheiro do esquema, políticos e partidos. A operação teve
início em março de 2014 e está em sua nona fase (veja abaixo). Estima-se
que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 20 bilhões.
PT, PMDB e PP são as legendas apontadas como beneficiárias diretas e
teriam recebido entre 1 a 3% sob os contratos da estatal. Segundo
depoimento de um dos delatores ouvidos pela Polícia Federal, o
ex-gerente Pedro Barusco, apenas o PT teria recebido cerca de US$ 200
milhões em propinas em dez anos. Parlamentares do PSDB e PSB também
foram citados como possíveis beneficiários.
Até agora, 40 pessoas respondem a processo na Justiça Federal no âmbito
da Lava Jato. Entre elas, dois ex-diretores da Petrobras e 23 réus
ligados a seis das maiores empreiteiras do Brasil. Quinze fecharam
acordo de delação premiada em troca de redução de pena. SUPERINTERESSANTE