A cada minuto, 28 relâmpagos atingem a área onde o lago Maracaibo e o
rio Catatumbo se encontram, na Venezuela. O local, segundo o livro
Guinness dos Recordes, tem a mais alta concentração de relâmpagos do
mundo - 250 por quilômetro quadrado. Também chamado de Relâmpago do Catatumbo ou Tempestade Eterna, o
fenômeno é registrado desde o século 16. Ele ilumina o céu venezuelano
todas as noites durante nove horas seguidas. Muitas teorias já foram feitas sobre o evento. No entanto, a mais
aceita pelo meio acadêmico é que ele acontece devido à combinação da
topografia e das correntes de ar que circulam no lugar. "Muitos desses lugares cheios de relâmpagos apresentam
características comuns em seu terreno: cadeias de montanhas acentuadas,
uma costa muito entrecortada ou uma combinação dos dois", explicou
Daniel Cecil, da equipe de estudos de raios do Centro Global de
Hidrologia e Clima da Nasa, em entrevista à BBC. Segundo ele, tais características criam um sistema de aquecimento e
resfriamento que podem aumentar a chance de tempestades de raios. Localizado em uma bifurcação dos Andes, o lago passa pela cidade de
Maracaibo e tem fim no Mar do Caribe. Devido à cordilheira que circunda o
lugar, os ventos quentes do Caribe se encontram com o ar frio que desce
das montanhas. Tal choque faz com que o ar quente suba e forme nuvens cúmulo-nimbo
que alcançam 12 quilômetros de altura. Dentro delas, gotas de água
vindas do ar quente e úmido se chocam com os cristais de gelo do ar
frio. Isso produz descargas estáticas que dão início à série de tempestades
elétricas. Elas são tão brilhante que podem ser vistas a uma distância
de até 400 quilômetros do lago. Muitas destas informações foram colhidas durante 17 anos por
instrumentos a bordo de um satélite que orbita a Terra a cerca de 400
quilômetros de altitude. Parte da Missão de Medição da Pluviosidade Tropical (TRMM, na sigla
em inglês), o projeto é comandado pela Nasa e a Agência de Exploração
Aeroespacial do Japão.
Já deu trégua, mas voltou
O número das tempestades tem seu ápice em outubro, devido às fortes
chuvas. Nos meses de janeiro e fevereiro, que são os mais secos, o
número de raios diminui. No entanto, foram poucas as vezes que os raios despareceram
totalmente dos céus da região. A primeira vez registrada foi em 1906. O
fenômeno não apareceu por três semanas após um terremoto e um tsunami
que aconteceram na localidade. Já em 2010, uma seca causada por outro fenômeno natural, o El Niño,
também levou à suspensão temporária das tempestades elétricas. SUPERINTERESSANTE
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